terça-feira, maio 31, 2016

Não vales a pena, e sabes disso.
Não vales lágrimas preocupações ou noites sem dormir. Não há generosidade que compense quem tu és. O espelho não te perdoa, e seja qual for o motivo, o sol põe-se sempre no mesmo sítio.

Estás aquém das expectativas. Não correspondes aos padrões impostos pela sociedade, mais ou menos perfeita, mas não encaixas. Não és mais que um cenário, figurante dispensável na vida de outréns. És um ponto de interesse volátil, algo que enriquece o enredo nalgum momento, mas que não faz diferença no resultado final. E talvez alguns entendidos dessem pela tua falta, daquele extra, daquele 1% a mais, mas se fosse qualquer outro no teu lugar...

Cansada de ser mais uma, de estar a mais, de incomodar... Cansada de pessoas que se contentam com a minha presença, mas que estariam bem melhor com alguém mais... Qualquer coisa. Cansada de ser eu e incapaz de ser outra coisa qualquer, no limbo que define uma rotina que não escolhi. Resignada ao silêncio forçado, aos risos falsos, ao encaixe fingido de ser eu...

Não sou... suficiente. Fico ligeiramente à margem, no limiar, no limite do normal, do ridículo, do visível, do desejável. Sou... Apenas, e sei-me tão melhor se às vezes não fosse... Eu.

Piegas, insensível, egoísta, generosa, destemida com tantos pânicos encerrados atrás de uma fachada tão bem construída. Vês o que vês, e talvez não valha a pena veres mais que isso. Vivo no impasse da vontade e do correcto, abraçando as responsabilidades e ignorando o resto. No seio de uma vida mundana, cheia de nadas que são isso mesmo, nadas. Numa vida que não escolhi, num corpo que arrasto por aí como estandarte das minhas derrotas. Porque na minha realidade não há vitórias, nas fantasias também não, por isso ergo as derrotas como medalha sarcástica de uma corrida em que não me inscrevi.

Um passo de cada vez, inseguro e silencioso. Entro e saio das vidas alheias como se da minha casa se tratasse, poucos ficam, e mesmo esses mantenho à distância de um braço, não vá o meu desajeito tombar sobre quem não merece tal peso.

Tão pouco resta a dizer... As lágrimas não fluem como antigamente, e os sentimentos parecem ter ido com elas. Incapaz de verbalizar, de sentir ou de ser, porque são anos acumulados em cima de memórias irresolúveis.

Eu... Que um dia sorri porque o sol brilhava lá fora. Eu... Que algures no tempo acreditei, hoje, cínica, vazia, etérea... tantos nadas acumulados no mesmo sítio, e eu sem nada para fazer com eles.

segunda-feira, agosto 10, 2015

Uma espécie de despedida

"Dou um passo atrás e espero. O teu silêncio confirma aquilo que o meu instinto me gritou e que decidi ignorar"

Passou por mim, e porque me apeteceu, fui atrás. Quando uma parte de mim estava amarrada aos silêncios alheios, o meu corpo decidiu que era a escolha ideal.

"Digo alguma coisa na esperança de uma resposta, e embora ela tarde em chegar, as lágrimas recusam-se a cair."

Tomou-me o corpo de assalto e eu deixei. O risco tornou-se o combustível que o controlava e foi ele o escudo que me despreocupou dos olhares indiscretos.

"Quase consegui chorar, mas o meu outro lado atravessou-se no caminho e por isso solto uma gargalhada sonora."

Deixei que as suas mãos me explorassem o corpo e fi-lo sentir como se assim me conhecesses. A cada gemido fortaleci-lhe o ego e cada beijo incentivei mais um passo.

"Dou mais um golo no rubi que me enche o copo, mais uma gargalhada sentida e afasto-te lentamente das ideias..."

Mudamos de cenário, já não cheiro o rio nas minhas costas, já não sinto o fresco da noite a contrastar com o ardor da nossa pele. Os ruídos foram abafados e nós parecemos não dar por isso.

"As conversas fluem entre amigas, do sério aos disparates vamos resvalando nas horas como se nada mais existisse."

As minhas costas batem no puxador de uma porta e o joelho dele atira-se contra a parede. Por entre a sofreguidão a porta abriu-se pelas mãos de ambos e os nossos corpos tombaram para o interior de uma casa que dificilmente consigo retratar.

"Esvaziamos garrafas como se fossem de água e o tema vai-se tornando cada vez mais aquele que procuro evitar."
Entreguei-me à sua vontade sem resistir, sem fingir resistir e provoquei-o por entre risos e dentadas para que me levasse sem questionar nada...

"Elas tocam na ferida e delicadamente desvio o assunto. Queria contar sem ter de abrir a boca. Quero compreensão ou um eventual conselho mas não quero ter de explicar..."

Sinto o seu respirar pelas minhas costas abaixo. A barba mal feita arrepia-me e os beijos elevam de novo a temperatura da minha pele.

"O assunto morre por mais alguns minutos, as atenções desviam-se para outra pessoa e eu aproveito para confirmar que o teu silêncio se mantém."

As suas mãos magoam-me os braços e enquanto lhe marco o pescoço apercebo-me que não sei o seu nome...

"Calo-me, prefiro calar-me e organizar os meus pensamentos, o assunto vai voltar e eu tenho de saber o que vos dizer."

A noite escorre por entre os nossos corpos suados. Há muito que deixei de saber que dia é hoje e que me deixei levar pelos impulsos. Uma boca curiosa explora-me num silêncio que eu quebro em incoerências ocasionais.

"Finalmente decido responder. A verdade, ou o que me deixarem dizer da verdade... mais um golo de coragem e mais uma nuvem deixada por um cigarro mal aceso."

Fui escrava e meretriz, fui a sua rainha e passei-me por donzela nos quatro cantos do seu mundo. Fui amante insaciável e deixei-o adormecer ao meu lado. Fui fantasia silenciosa enquanto saí de mansinho, já o sol espreitava bem acima das telhas.

"Contei-vos sobre os dois lados que me consomem. Expliquei, o melhor que sabia, o quão dilacerados estavam os meus sonhos de nós. Contei ao detalhe sobre as saudades que sinto de me rir contigo, falei por tempos infindos acerca das ideias que trocámos, sobre a antecipação, as promessas veladas e todas as vontades que nos uniram por tão breves momentos..."

Antes de seguir para casa, parei para tomar o pequeno almoço. Não tinho fome mas o corpo fraquejante indicava-me que eram horas.

"No fim surge a pergunta crucial, respiro fundo... não, ontem não fui ter contigo. O teu silêncio empurrou-me para os braços de um desconhecido, mas nem disso te posso culpar"

Não, não fui ter com ele. Não, não sei o nome do outro. Não, não gravei nenhum número dele nem lhe dei o meu.

"De repente o outro lado veio ao de cima. Porque por um momento não quis saber de nada, e alguém serviu de escape para tudo o que eu não te soube dizer."

Fiz de alguém a imagem do que poderia ter sido contigo. Deixei-o levar-me com a confiança que teria sido tua e fantasiei contigo.

"Foi uma espécie de despedida silenciosa que projectei no corpo de outro qualquer. E hoje, tu és mais um contacto mudo numa lista e o outro é o êxtase sofrido nas horas da mais sóbria loucura que me acompanhará por muito tempo."


segunda-feira, outubro 13, 2014

Se te soubesses indesejado, ficavas?

Se a tua infância fosse um retalho de imagens da felicidade alheia, permanecias?

Se te revisses em cada defeito do mundo, paravas?

E se nada em ti fosse suficiente, e ninguém te pedisse para que não fosses, aguentavas mais um dia?

E se respirar te matasse de mansinho, sorrias?

E na ausência de opções, qual seria o teu próximo passo? Isolavas-te, ou corrias?

Todos somos assombrados, por um, ou vários demónios, medos ou inseguranças, traumas ou apatias, mas o que fazer quando é de ti que tens medo?

Para onde ir quando estás encurralado na tua própria garganta?

Como continuar a ser? Rir? Amar?

Se à tua volta todos encaixam mas tu és rejeitado por seres diferente num embalagem como as outras.

Porque para ti qualquer nada tem de servir e porque sabes o que pensam, ou o que sentem, sem que nenhum gesto esteja lá para confirmar.

Será que vales a pena? Não serás apenas mais um que vai sobrevivendo?

Um desperdício de espaço, um entrave em tantas vidas?

E se ao final de dias de silêncio ninguém te procurou, perguntas-te o que fazes aqui? Ou bebes mais um copo na esperança que amanhã seja melhor?

E se deixasses de ser, será que o mundo sorria? Ou, como os restantes, não dava pela pequena ausência?

E se o mundo acabasse hoje, quem é que ia querer estar ao teu lado para dizer adeus?

sexta-feira, setembro 12, 2014

"Se fosse fácil ser, a ausência de desafios levar-te-ia ao desespero.
Se fosse justo, qualquer um encararia a vida de cabeça erguida.

Se fosse lógico... se ao menos fosse lógico...

Não sei, nem sei se quero saber, a procura incessante por algo mais, a insatisfação nas poucas simplicidades ao meu redor, a tristeza que impera nos dias. Tristeza essa, que nem sei se de tristeza se trata, apenas um nada qualquer que me leva a ponderar os propósitos.

Se ao menos fosse linear...

...não sei. Essa expressão que impera neste império vão, é de facto uma resposta válida na nossa ignorância diária, às vezes rasgada por momentos alucinados de uma clareza quase pura, e mesmo desses, nada sei.

Às vezes superior a tudo isso, num riso despreocupado, vivendo pequenos instantes e sugando-lhes um êxtase absurdo que não consigo explicar. E depois? O ridículo de vidas vividas em rotinas cansativas, que desesperam quem as vive, quem não tem alternativa, porque a rotina já não é uma escolha, é um trilho tortuoso e obrigatório.

Se ao menos conseguisse explicar...

Queria trazer os meus fantasmas e mostrar os meus porquês, ou, na impossibilidade do absoluto, um ou dois dos meus porquês. Mas queria-o sem consequências, apenas compreensão silenciosa, mas...

(entrelinhas?)

Vai ficando nas entrelinhas esquecidas, e vou levando a minha ausência de rotina, um dia de cada vez.

Não sei ser diferente, não sei explicar, não consigo ser melhor e também não quero ser pior. Não adivinho o futuro e não me deixam mudar o passado. Talvez tenham sido só sonhos menos bons, criados pela fertilidade da minha imaginação cansada pelo cinzento dos dias.

Se ao menos eu soubesse alguma coisa, esta ignorância frustrante de saber que há algo, que tens a capacidade de compreender, mesmo ali à frente, mas não tens um único vislumbre do que se possa tratar.

Se ao menos fosse coerente... Talvez eu não fosse eu, e se assim fosse, quem o seria por mim?"

Os minutos continuam em pequenos nadas, gestos mais ou menos significantes que preenchem aquele cantinho aconchegado. Motivos egoístas? Talvez. Não sei ser o que esperam que eu seja, nem conheço forma de transmitir o que tudo isto significa. Não sei contornar os obstáculos sem os compreender, e a intuição (será esta a palavra?) leva-me a atitudes iguais a mim.

E se ao menos isto fizesse sentido, não ficaria este amargo no ar, ou no papel, ou naquele cantinho aconchegado, que só e sei onde fica...

domingo, agosto 31, 2014

...

Num mundo que parece girar à velocidade da luz, ser sensível é tão pior que ser invisível.
Interpretada como fraqueza, talvez até por mim... ou principalmente por mim, a sensibilidade é o defeito que acaba por me consumir.
À minha volta observo as falsas fragilidades usadas em jogos de sedução. Não consigo ser o que não sou, e não escondo a independência que faz de mim quem sou. Não sinto necessidade de gestos grandiosos, de ajuda, ou de cavalheirismos forçados e banais. Não sou frágil, sou resistente, sou independente e orgulhosa, sou forte e sou feroz. Mas sou humana. Há palavras, olhares e risos que me magoam. Desatenções que dilaceram dias de felicidade, friezas que me congelam e endurecem.
Uma vez mais, escondo-me em piadas fáceis, banalidades, frases feitas e senso comum. Deixo-vos ver apenas o que é bom de ser visto, e quando as coisas se aproximam de um qualquer limite, sai alguma dor, no tom de uma queixa trivial, para afastar um bocadinho o ponto de ruptura, deixando o resto escondido de novo.

Sinto-me um miosótis escondido atrás da grande muralha da China. Algo simples e frágil, de tal forma, que não sei se vale a pena atravessar um obstáculo tão difícil para lá chegar. Sim, insegura. Há tantos anos incerta acerca de mim mesma. Assombrada por defeitos que não consigo contornar, não sei se vale a pena tentarem ver o que escondo. A muralha foi contruída por mim, e não me restam forças, ou vontade para a deitar a baixo. Também não tenho capacidade para me fazer ouvir e torno a não saber se quero que me oiçam. É esta necessidade masoquista de me sentir diferente.

Algures existem pequenas esperanças, nalguns abraços, em beijos furtivos, em palavras meigas que me vão chegando, em pequenos nadas dos dias bons.

De repente tudo muda. Porque não me percebes acabas por me magoar com um gesto bem intencionado. porque não compreendes os meus motivos, a minha timidez, os medos ou as inseguranças. Porque em tantas coisas que são impossíveis de explicar, é necessário um entendimento intuitivo e silencioso para perceber. E hoje, quando a informação corre à velocidade da luz, o mundo está sempre a correr, e eu permaneço escondida, tu não me consegues ver, ou ouvir, ou sentir.

Uma brisa sopra gentilmente e agita-me ligeiramente. Levanto-me sem vontade, cedo a mais um incentivo. Saio, rio-me, e algo em mim aproveita uma noite, o resto permanece agarrado ao chão longínquo, atrás de pedras milenares que não são minhas, mas que carrego como se fossem.

"Tu" és um pronome impossível. Um não sei quem, não necessáriamente no sentido romântico da vida. Este "Tu" poderia ser uma das muitas pessoas que preenchem a minha vida, um animal de estimação, ou um objecto adorado. Todos igualmente reais, e igualmente incapazes de reconhecer que sou é contruída por uma sussesão de multiparadigmas voláteis. Que tudo muda, que a biologia em mim me leva a ser inconstante, a dar ares de incoerência, a ser muito mais que a soma das partes que me constroem. Sou igual a ti, mas sou diferente. Sinto as coisas de uma outra forma, escondo-me atrás de barreiras diferentes. Cada uma das minhas partes é igual à de milhões de outras pessoas, mas a soma delas, é algo indfinível.


terça-feira, setembro 24, 2013

Descartável

Estar assim, neste misto de nada, fundido com a tristeza profunda que se espelha nos meus olhos de vez em quando. Tristeza, que talvez nem seja tristeza, talvez apenas uma desilusão difundida no mais profundo do meu ser.
Apaziguo tudo com sorrisos longos, gargalhadas sonoras, com entreténs, descartáveis como tu, que vão preenchendo alguns vazios dos dias. Alguns apenas, porque os outros tenho-os reservados para mim, para este eu que de vez em quando me chama.
Metáforas e sarcasmos vão desviando os temas das conversas para o tampo da mesa, onde esse cinzeiro quase cheio nos centra, e levam-me a ti. Por um segundo apenas, tu. Que és pouco mais que o tapete que tenho à porta de casa.
De fundo, uma música violenta. Não sei o que dizem, não tento sequer perceber o que sentem, as suas palavras são tão irrelevantes como tu, são apenas mais um pedaço que preenche o meu espaço quando eu quero. Trazem-me os ritmos de outras gentes, e abafam o ruído da rua.
Não te conheço, não te quero conhecer, não gosto de ti, nem quero aprender a gostar. Regozijo-me no meu egoísmo de te poder escolher como distracção de algumas horas. Não me dei ao trabalho de te tentar explicar nada. És de facto quase irrelevante, e espero que saibas disso.
Quase cruel, deixo que descubras o caminho da porta, porque nem isto é sobre ti. É sobre mim, como sempre foi, neste meu egocentrismo encantador. Para mim, porque permaneço o centro na minha vida.
São pensamentos de horas vazias. Nem tudo o que digo, penso ou transmito num momento será verdade uns segundos depois. Eterna insatisfeita, incoerente, quase imbecil nesta tentativa vã de exprimir o que for. Talvez seja apenas a necessidade de gritar algo bem alto… não sei o que será, senão esta folha estaria bem mais branca.
Somos todos descartáveis na vida uns dos outros. Do centro de uma vida passamos a suave lembrança, eventualmente agitada por episódios marcantes. Quem hoje me acompanha por horas infindas, amanhã será um contacto numa lista, que por circunstâncias mais ou menos simples, raramente é usado. A vida atravessa-se nos nossos pés, e no meio da confusão há sempre quem fique para trás.

Acendo mais um cigarro, este meu fiel companheiro, mais cruel que eu. Nada disto faz sentido… melhor assim, não fosses tu tentar perceber o que te estou a dizer, e de descartável passavas a outra coisa qualquer.

quinta-feira, setembro 19, 2013

utopias

Não sei que palavras são estas que buscam o papel incessantemente. Não fazem sentido, pelo menos, não p'ra mim.
Inquietas, ou eu irrequieta, ajeitam-se na folha num frenesim silencioso até que finalmente param num canto qualquer em que permanecerão estáticas até que alguém se lembre de as agitar novamente.
Tinha saudades disto... colocar a caneta no papel e deixá-la correr sem destino certo. Deixar que ela desenhe, sem limites definidos, o que passa por mim. Não tem de fazer sentido, não tem de ser belo ou profundo, apenas tem de ser. Num suave atrito entre a espera e o papel liso, arrastem-se os sentidos ainda ensonados, sem pressas, sem intenção nenhuma além da singela vontade de escorrer fluídos pelo papel, outrora branco.

"Não sou mais do que sou, mas muito mais do que te permito ver. Também não és mais do que és, e no entanto, provavelmente, tão menos que o que quero ver em ti."

O tempo é um conceito estranho, e nós mais estranhos seremos por tentar decifrá-lo. Corre por nós à velocidade incrível dos sentidos, e no entanto parecem sempre arrastar-se lânguido em segundos infindos. 
Tento explicar, mas os conceitos parecem ser insuficientes para mostrar o que quer que seja. Palavras que ainda não foram inventadas seriam a solução, fosse eu diferente, fosse eu superior a mim mesma, com a capacidade de transmitir aquilo que é, mas que talvez nem eu saiba bem compreender.

Não seremos, jamais. Mas fica o aconchego de um sonho, a excitação de uma expectativa, o carinho de um gesto qualquer, incitados pelas expectativas que criamos em volta de um "nós", tão utópico como a liberdade absoluta.

Os sentimentos confundem-se com os sentidos, e a razão assombra-me as vontades. A electricidade corre em sinapses ansiosas e as palavras perecem escassear no final da folha, agora parda, rugosa, com um leve odor à tinta que me escolheu, manchada por tantos nadas que quase se deixam compreender por qualquer pessoa.

"Serei sempre o impasse entre o que gostaria que fosse, e aquilo que a vida me deixa ser..."

terça-feira, julho 09, 2013

Se não queres ouvir...



Procurei as minhas palavras no pulsar tímido do ponteiro dos segundos. Esquartejei todas as que encontrei perdidas por ali, a maioria vinham de um passado qualquer em que a dor e a incerteza eram o prato do dia.

Sinto-me ingénua, banal, quase infantil. Como foi possível ter-me deixado sentir assim? Deixar-me ser uma, entre tantos milhares de pessoas que se sentem da mesma forma, perante as mesmas circunstâncias? Sei-me diferente, e no entanto afundo-me nos mesmos erros dos restantes pedintes de carinho com quem me vou cruzando.

Não estamos todos à procura de alguma coisa?

Não estou, também não deixo de estar. Vou olhando em volta, mas numa espécie de desdém incontrolável. Talvez seja mais o instinto de ver as montras do que a vontade de adquirir seja o que for.

“Eu falei, mas tu não quiseste ouvir…”

Tu avanças e eu recuo. De ti não quero mais do que o passar das horas acompanhada por uma respiração que não seja a minha. Não me importo que não fales, se calhar até prefiro assim. Não quero que te juntes a mim nos meus debates filosóficos, não quero que sejas sequer capaz de compreender os meus pontos de vista rocambolescos. Quero que estejas ali, como uma peça de decoração do meu dia, da qual eu tirarei proveito sempre que me apeteça, e sem me preocupar se a deixei no sítio, ou se ela cai ao chão e se parte.

“Eu falei, mas tu não quiseste ouvir…”

Repugnância por esta minha atitude desprendida… Não que de facto faça algo errado, simplesmente vejo-te afundar numa espécie de areia movediça, e não te consigo alertar de outra forma.

Mais um minuto. 

Agora quero-te, mas daqui a um instante podes ir embora. Não percebes, porque não quiseste ouvir, mas não te quero, não por mais que um minuto.

sexta-feira, julho 05, 2013

(...)



De repente aquele aperto. Aquele que há tanto não me visitava, a sensação de que algo está para vir, qualquer coisa que sei ser incapaz de controlar, prever ou até compreender. E desta minha irracionalidade ascendem medos antigos. Sentimentos que me despertam os sentidos e me deixam apreensiva.

Na realidade, neste dia a dia banal, nada mudou, apenas este aperto. Este canalha traiçoeiro que eu parecia ter esquecido. E nem um nome lhe posso dar, é apenas qualquer coisa que de vez em quando surge para me atormentar uns dias, e por vezes até se revela ser algo generoso na sua forma de lidar comigo, meigo, manso, com agradáveis surpresas nas entrelinhas da tortura.

Talvez seja eu, com vontade de me sentir assim, que procuro este aperto que me incomode uns dias para que depois eu possa valorizar a paz que se segue… talvez…

Um arrepio em dias quentes, um nó algures em mim que me impede de comer mas que exalta a fome, como carrasco que me pretende castigar por algo, aparentemente muito grave, mas que na realidade não sei o que terá sido… a isto associa-se a culpa, que me vai invadindo com a presença desse aperto. Não sei que culpa é, nem sobre quê, ou a quem, mas o sentimento é esse. De repente sou culpada de tudo o que me queiram acusar, e nem tenho defesa possível, como se lutasse contra um inimigo invisível.

Respiro fundo e refugio-me em qualquer coisa que me desvie a atenção. Mas sinto-te aqui, a respirar sobre o meu ombro, a sussurrar algo inaudível, sempre em tom de ameaça, e a minha atenção turva-se pela incerteza. Que será desta vez? Será a tempestade do século, ou a surpresa do dia?

Quem me fez assim? Tomara-me ignorante e insensível, e assim, quem sabe, talvez ele não me procurasse, ou eu não me apercebesse da sua presença.

Um novo arrepio, um novo inspirar tão profundo quanto possível. Um segundo de cada vez, sempre alerta, não vás tu saltar de onde menos te espero e causar mais danos que os necessários.

Talvez seja eu a imaginar coisas… talvez.

quarta-feira, abril 13, 2011

Geração 3D

Somos a geração do botão.
Nascemos com computadores e consolas nas mãos, conhecemos a internet como os nossos pais conheciam as ruas das suas aldeias ou cidades.
Do nosso país conhecemos o nome e pouco mais, já que em menos de nada alcançamos qualquer resposta que nos exijam. O nosso telemóvel (este de onde escrevo, por exemplo) tem mais funções que qualquer super-computador do século passado.
Nascemos alfabetizados, mas não lemos nem escrevemos, todos com cursos, mais ou menos inúteis, todos na mesma luta infame, que não nos leva a lado nenhum.
Somos a verdadeira geração 3D! Doutores, desiludidos e desempregados! Podia acrescentar mais uns, talvez passíveis de ferir susceptibilidades... As drogas sempre à mão, as DST's sempre a espreita, o desinteresse geral, a desigualdade, o desleixo, a desresponsabilização... Nascemos com tudo, até a capacidade de usar palavras com mais de 2 silabas, mas não queremos saber de nada.
Um charro e uma cerveja apaziguam o que nos resta de massa cinzenta, e o riso fácil disfarça o medo do futuro que espreita.
Desvalorizados pelos nossos antecessores, e talvez tenham razão, mas foram vocês que não tiraram tempo das vossas agendas para nos ensinarem a ser melhores.
Preferimos passar décadas nas faculdades, aí, pelo menos por enquanto, ainda conseguimos incentivos do estado ou dos pais. Quando também esses terminarem, e já faltou mais, apenas nos restam as longas filas nos centros de "desemprego", e as horas a fundo perdido a enviar o curriculum, modelo europeu, claro, ao qual ninguém responde. Querem licenciados, bonitos, com 20 anos, experiência, de preferência sem compromissos e a custo zero! Mais vale procurarem o príncipe encantado...
Damos mais uma passa no cigarro cravado ao vizinho, publicamos mais uma mensagem de revolta no facebook, e planeamos revoltas que jamais concretizamos.
"se eu mandasse" é o mote do dia para mais uma discussão acesa, entre supostos entendidos de vão de escada. "fazia e acontecia"! Mas não voto porque não concordo, e assim jamais irás mandar. E se calhar ainda bem, não fossemos nós cair no erro dos restantes bem-intencionados que acabam iguais aos outros gordos, que comem, bebem e enchem os bolsos à custa dos meus pais. Sim, porque eu não tenho ordenado, e não pago impostos, com o meu dinheiro pelo menos. Se fosse eu a mandar, corria o risco de desiludir ainda mais os que me são mais próximos, e vir a ser chamada de déspota ou ditadora... Ou pior! O que era antigamente uma posição de senhores respeitados, é hoje uma ofensa, políticos são a escória na boca do povo, que talvez tenha razão.
Por isso mantenho-me na minha condição de Dra. (ou Eng. ou Arq.) do meu sofá, reclamo de tudo, não mudando nada, e criticando permanentemente os chauvinistas que estão no poder, sem mexer mais que 2 ou 3 dedos.
É a mentalidade! Não são só os políticos com a sua crise, nem os jovens irresponsáveis. É esta mentalidade pequenina que nos acompanha há tempo demais, e nos faz nascer a olhar para o próprio umbigo, com um dedo esticado a apontar a culpa a outro qualquer.
Mas esta, é só e apenas, a opinião de mais uma dra, tão falida e ignorante como o país onde nasci.

terça-feira, março 09, 2010

Brooklyn


I hope I see you soon
Cause you’re fond of me and I am fond of you
These days I guess that’s all it takes
That and just a few mistakes
and I have made mistakes
Yes I have made mistakes today…
So tonight I’ll be your Brooklyn
So cool and yet so far away
Just tell me what you want for me to say
And if it brings you home…
I guess it’s safe to say
We both could use this fire escape
Cause I’ve been breathin’ ashes in
And I’ve been waiting for somethin’ to carry you away
Cause i have made mistakes today…
So I hope you travel safe
I hope you’re cool, I hope you find your way
It’s sad, but it is safe to say
We disagree on one too many things
And I have made mistakes today…


domingo, novembro 22, 2009

Cavalgadas

"There is something about the outside of a horse that is good for the inside of a man. ~ Winston Churchill"



quinta-feira, novembro 19, 2009

Pensamentos que voam...

Não são só os pensamentos que me voam pelos dedos... o tempo parece-me escasso perante todos os nadas que me vão assombrando. 4 meses em silêncio, e o meu refúgio mantém-se aqui, a aguardar o meu regresso, neste seu pulsar sereno e taciturno...

É bom voltar a casa.

Pensamentos que voam irá sofrer uma remodelação. Novas cores, novas palavras, um pouquinho mais de mim, talvez mais regularmente. Por agora, apenas um suspiro, algo leve e doce para ver se animo estes dias cinzentos.


Um beijo...

domingo, julho 12, 2009

Caminhamos sempre, um pé à frente do outro, mesmo quando o mundo parece que se vai desmoronar, mesmo quando tudo corre mal ou quando a solidão nos parece incontornável, e a cada passo a esperança de algo mais.
Uma novidade, uma proposta, um novo projecto ou uma simples noite bem dormida dão-te forças para mais uma batalha. O facto de saberes que há pilares na tua vida, que há algo ou alguém que te irá obrigar a erguer a cabeça quando estiveres prestes a desistir. Saberes que és e foste pilar para tanta gente cujos caminhos se foram desviando, saberes que foi no teu ombro que tantas vezes chorei, saberes que hoje, quando as pernas te fraquejam, quando todos os olhares te reprovam, quando todas as dúvidas alheias te fazem duvidar, há algures um ombro e um abraço de quem confia, de quem acredita, de quem te ama.
Porque já vi pior, já vivi pior, e tu estavas, talvez nos bastidores, talvez longe, mas passo a passo os nossos caminhos acabaram por se cruzar e foste tábua de salvação, foste alvo de desabafos impensados, foste amizade incondicional, independentemente dos disparates que cometi.
Hoje, quando vacilas nas tuas próprias decisões, eu tropeço nas palavras a acabo por me deixar em segundo plano.
Deixo as previsões para os entendidos e resigno-me à feliz insignificância do meu ser, faço o que melhor sei fazer e contento-me em espalhar 2 ou 3 sorrisos por aí, na esperança de um dia também te ver sorrir, também te saber feliz.
Carpe whatever! É indiferente a forma como cada um encara a vida, o mote de cada dia parece-me completamente dispensável, porque o essencial mesmo, é isto, a simplicidade de ser aliada à vontade de seguir em frente, tudo o resto são adereços que colocamos no nosso próprio caminho para tornar as coisas mais bonitas.
Indecisão era o meu nome do meio, medo a minha sombra e solidão a minha melhor amiga, vi o negro dos dias e o vazio das noites, brinquei à beira de tantos abismos e fugi tantas vezes quantas me apeteceu, sempre com o mesmo resultado. Mais uma decisão, mais um dia passado.
Sorri, elimina as lágrimas do teu vocabulário e dança ao som de uma música estúpida qualquer.
Amanhã o dia vai correr melhor, pouco a pouco esse sorriso torna-se real e a felicidade instala-se sem te aperceberes.



domingo, abril 05, 2009

sábado, março 28, 2009

O outro lado do nada

Nada. Conceito abstracto que tenta traduzir o que por vezes nos enche os dias, os sentimentos para com algo ou alguém que nos passou despercebido ou simplesmente que queremos esquecer, nada passou a ser um adjectivo comum quando queremos diminuir algo, passou a banalidade pouco inócua, passou a ofensa, a desmérito, a desprezo.

Uma palavra sem sentido claro, um pouco isto misturado com uma pitada daquilo, quando na realidade o "nada" a que me refiro é apenas a ausência de contacto, de palavras, de olhares, de toques e de cheiros.
Nada passou a ser uma quase religião que me acompanha no dia-a-dia, porque nada se passa, porque não quero nada, porque não sei de nada. Muros feitos de nada que ergui ao meu redor e que ninguém ousa transpor, a invisibilidade causada pela aparência normal que transpiro, perguntas disfarçadas que parecem não trazer nada de novo, comentários inocentes que fazem com que nada seja monótono...


...do outro lado apenas permanece a vontade de te voltar a ver.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Quem és tu?


Fazes do imprevisto uma arte porque as rotinas te incomodam de tal forma que os relógios te parecem peças de museu. Mas vives dependente de outrém, sem saberes muito bem por onde vais.
Por onde passaste acumulaste lembranças enroladas em rancores, e desistes das pessoas sempre antes de elas desistirem de ti.
Quem és tu, enigma ou indecisa?
Porque foges? Que medo é esse que te isola? Quem te feriu assim tão gravemente que sembras viver debaixo de uma ameaça constante? Porque te revoltas tanto?
És diferente, profundamente diferente, és tímida disfarçada, e pareces envergonhar-te de ti mesma. Erras como todos, mas insistes em revoltar-te, em gritares para depois de esconderes novamente e seguires um rumo diferente. Desistes depois de lutas épicas sem esperares para ver os resultados, abadonas-te a ti mesma, deixas de acreditar e choras... porque o mundo não te compreende.
Quem és tu, menina, mulher?
Tudo muda, até o eixo de inclinação da Terra, e tu... tu mudaste uma vez mais. Abandonaste o teu passado antes mesmo de ele passar. Esqueceste os que foram algo, ignoraste os que quiseram ficar, viraste as costas, e imóvel aguardaste que se fossem eles embora.
Será isso? Queres mesmo parar no tempo? Queres mesmo ficar para sempre sem saberes como é ir em frente?

“Pensei que se falasse era fácil de entender”

O silêncio é uma arma cruel, sei disso, e tu também. Talvez as palavras tenham deixado de ter significado, talvez sejas simplesmente mais feliz assim, sem nunca dizeres adeus, talvez te tenhas esquecido do passado, talvez o queiras esquecer.
Sim, menina, ainda me lembro de te ouvir a rir com disparates, ainda me lembro que existes, e de uma ou de outra forma, vou sabendo de ti.
Um beijo
R.

quinta-feira, novembro 27, 2008

Medo

"Quando o sol se afasta as criaturas saem à rua. Despem os seus ares compenetrados de profissionais competentes e revelam o seu ar sombrio e ameaçador. Claro que talvez os olhos do observador sejam um factor determinante no processo, mas a verdade é que à noite todos somos desconfiados, todos estamos prontos a atacar à mínima ameaça, somos carnívoros vorazes e impiedosos.
A rua serve de palco, às janelas os espectadores impassíveis e dos becos escuros saem os actores principais que fazem espectáculos de movimentos bem estudados. Vou por aqui que há mais luz, vou agora, vou mais tarde, vou de carro e tranco as portas, vou a pé mas com um x-ato no bolso (sim, porque uma dessas armas mortíferas vai ser fácil de abrir em caso de perigo!), ou pelo contrário, escolhem os caminhos mais recônditos, sem luz, sem gente, por onde caminham os gatos vadios e onde apenas circulam artistas como eles.
Estamos num mundo cão, e fazemos dele pior do que realmente é. Qualquer de nós no ambiente apropriado seria um assassino impiedoso, um traficante de droga, um ladrãozeco de esquina. Qualquer um de nós, que tem polegares "oponíveis" aos restantes anõezinhos é capaz de uma atrocidade qualquer, e num dia comum, temos mais medo da pessoa que está sentada ao nosso lado no metro que um uma fera da savana Africana.
Máquinas infernais de capacidade intelectual muito variável. Artistas insensíveis ou brutamontes lamechas, o resultado é sempre o mesmo... MEDO! Temos medo de nós mesmos, temos medo de morrer, temos medo do escuro, temos medo da dor, temos medo... "Quem tem medo compra um cão!", e há muitos a precisar de um lar no canil municipal! Ou também tens medo de cães?
No fim desta merda toda, 99% das pessoas tem medo é de viver. Ponham lá o x-ato no bolso, olhem de lado para a pessoa que se senta ao vosso lado no metro, se for assim um senhor mal vestido e com mal aspecto mudem de lugar. Sejam rudes e isolem-se, magoem lá a pessoa que se fica a sentir mal porque todos têm medo dela e não se preocupem. Afinal não estão a fazer mal a ninguém... certo? Não espetaram uma faca no peito dele, nem lhe apontaram uma arma à cabeça, só o fizeram sentir-se mal por um bocadinho, e foi em auto-defesa!
Hipócritas!
Compreendo mais depressa um miúdo de 10 anos no meio da guerra com uma espingarda na mão que a vocês, pessoas ditas civilizadas, que fogem de qualquer conceito que vos faça Humanos."

segunda-feira, novembro 17, 2008

Fotografias

Algo que me faz lembrar dos bons momentos que estão pra trás...








e que me dá a certeza de que as coisas melhoram, a cada dia um pouco mais.

quarta-feira, outubro 15, 2008

Numa noite como outra qualquer, seguraste-me o rosto e pediste-me um beijo. Nessa mesma noite, que poderia ter sido outra qualquer, os beijos foram os protagonistas do conto de fadas que me prometeste.
A noite correu naqueles sofás que juntaste apenas para poderes dormir ao meu lado, na ingenuidade de que algo maravilhoso poderia acontecer. A timidez levou-nos ao disfarce e o segredo tornou-se nosso aliado.
Foste o príncipe encantado que apareceu montado num cavalo ruço, tão comum, tão inesperado, tão simples.
Numa noite, como outra qualquer, montaste o cenário perfeito. As velas acesas apenas permitiam vislumbrar os contornos do teu sorriso, tinhas espalhado chocolates por cima de uma cama improvisada, a música abafava os sons que chegavam do resto do mundo e os teus gestos levaram-me a acreditar em utopias longínquas.
Foste o amante insaciável que me mostrou os becos escondidos de um sonho.
Um dia percebi que esse sonho não era real, que os meus medos te afogavam em desespero, que a minha timidez te ia matando um pedacinho de cada vez, que os meus sorrisos eram poucos, que as minhas lágrimas traziam um passado demasiado longo para que tu me pudesses salvar de mim mesma.
Um dia, como noutro dia qualquer, saíste pela porta e nunca mais voltaste.
Nesse dia, ou noutro dia qualquer, coloquei tudo numa caixa de cartão e deixei que esta fosse levada pelo tempo.
Um dia sonhei que me tinhas jurado amor eterno e que era eu quem tinha fugido a correr.
Nós fomos feitos de dias assim. Hoje, quando esses dias estão tão distantes, sei que foi tudo um sonho, porque contos de fadas só no papel.
Naquele dia, tão banal como os outros, pedi-te um beijo e disse-te adeus.