sexta-feira, fevereiro 24, 2006

se ao menos

Se ao menos tudo fosse tão simples como abraçar-te, como sentir o sal dos teus lábios no doce dos meus. Se ao menos tudo fosse tão simples como beijar-te por horas infindas, ou ficarmos apenas a falar, com o meu nariz afogado no suave aroma do teu pescoço.

Se ao menos tudo fosse tão simples como sentir assim, sem pressas, percorrer o teu corpo como se nunca tivesse visto nada assim antes… na realidade acho que nunca vi, não assim, um corpo que a cada recanto reflecte um pouco da alma que tentas esconder.

Se tudo fosse tão simples como inventar uma desculpa para te tocar o rosto, ou deixar que toques o meu… se ao menos fosse tão simples como deixar-me levar… se ao menos existissem para sempre os beijos ao acordar, e os abraços ao adormecer, se os sonhos fossem para sempre assim… se ao menos, para sempre existisse.

Se ao menos eu fosse menos diferente… se todas as palavras fossem como as tuas, se tudo me fizesse rir como tu, se me sentisse sempre assim… se… se… se.

Adoro-te. E embora nem todas as tardes possam ser passadas num sofá amarelo, embora nem todas as noites possam ser passadas em abraços roubados, embora tu sejas um pouco assim, e eu um pouco da outra maneira, continuo a achar que vale a pena. Vale a pena arriscar tudo o resto, por um pouco disto.

Porque se ao menos todas as pessoas se sentissem um bocadinho assim todos os dias, então o Mundo seria como aquele sitio do meu sonho, em que todos os sons eram feitos de risos.

sábado, fevereiro 18, 2006

... inesperado ...

Ficaste com os meus lábios, e por isso não há nada que possa dizer...

sábado, fevereiro 11, 2006

Lean on Me


"Sometimes in our lives, we all have pain
We all have sorrow But, if we are wise
We know that there's always tomorrow

CHORUS
Lean on me, when you're not strong
And I'll be your friend I'll help you carry on
For it won't be long, till I'm gonna need
Someone to lean on
You can call on me brother when you need a hand
We all need somebody to lean on

I just might have a problem, that you'll understand
We all need somebody to lean on
Please swallow your pride, if I have things
You need to borrow

For no one can fill, those of your needs
That you won't let show

CHORUS

If there is a load, you have to bear
That you can't carry I'm right up the road,
I'll share your load
If you just call me...
call me
If you need a friend....
call me
If you need a friend....
If you ever need a friend
Call me....Call me...."

Michael Bolton - Lean on Me

Porque tu gostas tanto, e porque hoje apenas faz sentido agradecer-te por estares lá quando o resto do mundo desapareceu.

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

gritar... apenas gritar.
Como não posso... oiço música de alguém que grita por mim.
Quero gritar apenas porque como não vês o meu rosto, não sabes que tudo o que digo são mentiras... e mesmo que visses, não ias saber, porque queria que adivinhasses!

...promessas...

Qual é a importância de cumprir um promessa?
Se o não cumprir não trouxer nenhum impacto na vida da pessoa a quem prometemos, se o cumprir não trouxer nada de bom... se a vontade for mesmo não cumprir...
Estará assim tão errado?
Estarei assim tão errada?

Serás capaz de me perdoar quando descobrires que não vou cumprir a promessa que te fiz, aquela que selámos com lágrimas? Será que ainda te lembras? Será que ainda tem importância?

S calhar não a quebro... se calhar não vai ser preciso... mas se quebrar, e se algum dia chegares a ler isto... desculpa.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Rasgando o tempo...

"Algo que fica, algo que nunca chega, o resto, vai e vem com as marés, e corta-me por dentro, como se tivesse vontade de me cortar por fora também.
Fica o silêncio, perdido no meio da felicidade aparente dos solitários que se juntaram neste espaço, gelado de sentimentos, e onde os sentidos se perderam em nuvens ébrias e gargalhadas sonoras. O abraço não chega… o teu abraço, não chega. Então rasguei o tempo e o espaço e sentei-me aí ao teu lado, roubei um abraço fugaz e voltei para aqui, onde o carinho parece um conto de fadas, lindo, mas apenas uma fantasia.
Os sorrisos… os meus sorrisos, rasgam-me por dentro, tentando chegar cá fora, mas são tão forçados que ninguém acredita neles.
E mesmo quando a noite vai alta, e o ruído te tenta impedir, tu chegas, alcoviteira destemida. Enganas as defesas e tomas conta do meu rosto, outrora sorridente, levas o meu olhar para longe, e nem a certeza de que ao meu lado estão pessoas tão sós como eu, me reconforta.
As palavras encontram-me e eu desnudo-me de mim mesma. As gotas de suor escorrem para o papel, manchando-o. Encontro lá o borrão de sentimentos passados que hoje se repetem, e constato, que mais uma vez a solidão veio. Está aqui com o negro dos olhos baços e o vermelho das faces geladas.E mais uma vez eu parto. Vou, sem me despedir, e sem qualquer vontade de ficar. Não vou para longe, não quero ir para longe, vou só à minha procura. Amanhã estarei de volta, mas hoje preciso do meu silêncio, do cheiro do meu canto, da paz de estar rodeada de coisas familiares."

PS - embora não pareça, é uma foto da lua, naquela noite de Verão em que ela esteve cor-de-laranja, como se fosse pintada por mim...

sexta-feira, janeiro 13, 2006

de onde vem?

"So I found a reason to stay alive
Try a little harder
See the other side
Talking to myself
To many sleepless nights
Try to find a meaning to these stupid lies
I don’t want your sympathy
But sometimes
I don’t know who to be
Hey what you’re looking for
No one has the answer
They just want more
Hey who’s gonna make it right
This could be the first day of my live
So I found a reason to let it go
Tell you that I’m smiling
But I still need to grow
Will I find salvation in the arms of love
Will it stop me searching
Really be enough
I don’t want your sympathy
Sometimes I don’t know who to be
Hey what your looking for
No one has the answer
But you just want more
Hey who’s gonna make it right
This could be the first day of my live
The first time you really feel alive
The first time to break the chain
The first time to walk away from pain
Hey what you’re looking for
No one has the answer
We just want more
Hey who’s gonna make it right
This could be the first day of your live
Hey what you’re looking for
No one has the answer
They just want more
Hey who’s gonna shine alive
This could be the first day of my live"
Melanie C - The first day of my life
E de repente, depois de ouvir a música umas quantas vezes, OUVI de facto a música... prestei atenção à letra, e deixei-me estar um pouco a pensar nela. Às vezes basta isto para ter vontade de respirar mais um pouco... não que eu encontre alguma empatia com a cantora, ou que o facto de mais alguem se sentir assim me faça bem... apenas o facto de haver alguém que canta o que eu senti, como se fosse para mim... é um pouco como as miúdas que ouvem canções de amor como se os cantores estivessem apaixonados por elas, é ridículo, mas provoca um confortozinho cá dentro, e uma vontade de dar mais um passo em frente.

domingo, janeiro 01, 2006

Resoluções de ano novo

"______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
______________________________________________________ "

E era esta, a folha das minhas resoluções de ano novo... branca (neste caso, negra). Pela primeira vez, não pedi desejos à meia-noite, não me decidi a fazer nada, não prometi, não pedi promessas. A folha está em branco, e hei de escreve-la, um dia de cada vez.

Bom 2006, uma letrinha de cada vez ;)


sexta-feira, dezembro 30, 2005

o último post...

... do ano!

E de novo me pergunto. Pergunto apenas, nada demais, e a resposta é irrelevante, o que importa são as perguntas. Apenas porque sou apaixonada por um ponto de interrogação, e ao fim de cada pergunta espero sempre que ele lá esteja... mas até hoje nada! Apenas as perguntas que vão ficando abandonadas nas folhas de papel, e os pontos lá pregados, um a um, desiludidos porque eu os chamei e nem fiquei para ouvir a resposta.

segunda-feira, dezembro 26, 2005

L'Equilibrista

"come'è diverso il mondo
visto da qui
sopra un filo immaginario
nel silenzio che c'è
attraverserò l'immenso
che ho davanti a me
ali nel vento
per volare non ho
sfiderò nell'aria
la forza della mia gravità
muoverò le braccia aperte
nell'infinità del blu...

com'è lontano il mondo
visto da quassù
dimenticando il grande vuoto
intorno a me
senza mai voltarmi indietro
me ne andrò... da qui
la strada del mio cuore
io ritroverò
in equilibrio fino
in fondo arriverò
dove si respira liberi

è la vertigine
più grande che c'è
stare qui sospeso e
sentire questa vita com'è
giocoliere di me stesso
io volteggerò... nel blu

com'è vicino il cielo
visto da quassù
dimenticando il grande
vuoto dentro me
senza mai voltarmi indietro
me ne andrò... da qui

la strada del mio cuore
io ritroverò
in equilibrio fino
in fondo arriverò
da solo dentro il blu
da solo senza mai
cadere giù... mai più...

senza mai voltarmi indietro
me ne andrò... da qui

vivrò sul filo
della provvisorietà
l'equilibrista non si chiede
mai cos'è la stabilità
vive l'illusione e la realtà

com'è diverso il mondo
visto da qui"


Eros Ramazotti - L'Equilibrista

terça-feira, dezembro 20, 2005

... sei ...


Sei que uma ida à igreja não vai fazer do mundo um sítio melhor, e por isso não vou lá.

Sei que um pensamento sádico não faz do mundo um sítio pior, e por isso permito-me tê-los, de cada vez que isso me afaste de algum modo da dor ou do sofrimento que é a realidade.

Sei que as pessoas que mais amamos, são por vezes as que menos merecem esse amor.

Sei que o que mais queremos esquecer, é o que nos vai ficar na memória por mais tempo.

Sei que metade de mim cresceu depressa demais, e que a outra metade nunca irá crescer.

Sei que tenho medos a mais, e que eles me levam a ter demasiadas atitudes precipitadas.

Sei que… continuo a deixar demasiadas frases por dizer, continuam a haver demasiados parêntesis, demasiadas quebras no raciocínio, demasiado de mim em tão poucas palavras, que no entanto nunca são suficientes para mostrar algo que devia ser tão simples.


segunda-feira, novembro 28, 2005


"Como a peça de um puzzle que teima em não encaixar em lado nenhum. Isolada comigo mesma, não importa para que lado me vire, apenas encontro mais espaços vazios. Não há amigos ou família que me valham, porque também aí nunca encaixei.
A solidão não me incomoda, nunca me incomodou. As refeições sozinha também não. Apenas começam a pesar as lágrimas que guardei nos bolsos, e as palavras que escolhi nunca dizer. Pesam as toneladas de sentimentos que nunca demonstrei, pesam os problemas que guardei para mim mesma. As preocupações, os medos, as euforias contidas. Pesa-me a minha própria sombra…
Sinto o coração a diminuir de tamanho, as dores dos outros começam a deixar de me preocupar, à medida que vou sendo atropelada pela realidade da minha própria vida. Vida que não é vida, nunca foi. São passos mecânicos que vou dando ao longo do tempo, sem sequer me aperceber deles, tudo o que eu sou, o que eu fui, as metas, os desejos, eu mesma, a pessoa que gostava de ser, tudo isso ficou cá dentro, pura e simplesmente porque não se encaixava lá fora. E eu nunca quis ter que forçar-me a encaixar em lado nenhum.
Continuo à deriva por aí. Sorriso de plástico colado no rosto, observando os outros, dando uma mão quando alguém precisa, mas ao fim do dia regresso ao meu canto. Envolvo-me nas minhas coisas e choro, porque mais uma vez me escondi em mim mesma, pelo bem das aparências, mais uma vez escolhi mostrar apenas o lado bom, pus mãos à obra, e esculpi uma nova pessoa aos olhos do mundo.
Desenhei-a em cima do joelho, contornos bem carregados, interior meio difuso, para ninguém conseguir ver o que lá vai dentro.

Tenho as lágrimas tatuadas no meu rosto, e no entanto ninguém parece dar por elas. O meu único desejo era conseguir desistir, mas não posso. O meu mais alto objectivo, era ser de facto transparente. Sinto-me assim, a cada dia mais, mas continuo a ver o meu reflexo no espelho, continuo a sentir os soluços virem de dentro. As mãos continuam roxas de frio, as faces rubras da raiva de ser assim.

Não pedi a ninguém para nascer. Não há nada que me leve a querer ver mais um dia nascer, sei que o mundo irá continuar sem mim.
Estou demasiado perdida, no labirinto de mim mesma já bati em demasiadas paredes, e em nenhuma delas gritei, porque algures no caminho encontrei uma placa que dizia “Não incomodar”. Eu não incomodo, juro que não. Fico aqui quietinha, e amanhã saio de novo à rua com um sorriso forçado. E no outro dia também, e no outro, e no outro… e no fim, quando eu morrer, as pessoas que ficarem não se hão de recordar do meu nome, serei apenas aquela miúda caladinha que tinha sempre um sorriso nos lábios."
18/11/05

"Era apenas um pedaço de gente, abandonada numa sarjeta de sentimentos. Fizeste-me rainha naquela noite. Disseste-me que devia olhar sempre no fundo dos teus olhos para que pudesses para sempre ver as estrelas que brilhavam nos meus… sempre soube que eram apenas lágrimas, mas naquela noite fizeste-me acreditar que sim, que tudo valia a pena.
Era apenas mais uma miúda tímida, uma sombra de gente que vagueava pela vida sem saber muito bem para onde ir. Fizeste-me acreditar que eu era bela, que para ti, eu era bela.
Era apenas um papel amachucado e deitado fora, mas disseste-me que eu era a mais bela carta de amor que tu jamais descobriras… e eu acreditei. Eu quis acreditar, porque era tão bom sentir-me assim, desejada, bela, sensível… mesmo quando o mundo lá fora me dizia o contrário.
Encostei-me ao teu peito, e senti o teu coração a bater tão descompassado como o meu, pelas tuas faces corriam lágrimas doces, que se misturavam com o sal das minhas. Descodificaste cada pedacinho de mim, sem nunca sequer me chegares a conhecer verdadeiramente.
Sentia-me um cacto cheio de espinhos que mantinha o mundo à distância, mas tu fizeste-me sentir como o mais delicado miosótis do teu jardim. No teu abraço prometeste que estarias lá para sempre, e mesmo sabendo que também tu não tinhas a certeza disso, deixei-me acreditar em tudo o que dizias. Deixei-me enganar de propósito, porque era bom assim. Tu também acreditaste, talvez por ingenuidade, ou apenas porque querias tanto que fosse verdade.
Eu era apenas uma criança, daquelas que cresceu depressa demais, mas que se deixa ser ingénua de vez em quando. Acreditei naquele conto de fadas, e fui tua. O meu corpo tremeu de cada vez que me tocaste, e chorei contigo, e por ti, e para ti.
Eu era, apenas. Tu fizeste-me ser. Abraçaste-me, despiste-me de todos os escudos onde sempre me escondi, e exibiste-me, como numa vingança pessoal. Castigaste o mundo por ele nunca me ter visto como tu me vias, mostraste tudo aquilo em que me tinhas feito acreditar, e depois reclamaste-me para ti.
Foi há tanto tempo… já não sou aquela miúda, e tu já não me abraças. Já não sou papel amachucado, nem carta de amor. Hoje, sou o diário, com folhas de papel reciclado, escrito a tinta permanente. Hoje sei que vou ficar marcada em algumas vidas como tu ficaste na minha…
Hoje aprendi o porquê de dizeres que todas as pessoas têm a capacidade de mudar, mas que às vezes precisam que alguém as ensine…"

3/11/2005

sexta-feira, novembro 11, 2005

Saudade...

Saudade...
dos passos descontraídos na areia molhada,
dos dias sem pressa,
da areia escaldante e das noites longas,
dos risos, das lágrimas e dos pensamentos,
da convivência, da amizade, do carinho,
do esquecer o mundo lá fora, e descobrir o cá de dentro,
de ser feliz com quase nada, mesmo tendo a vda pela frente.

A ti, que lá estiveste em cada momento daqueles dias, e aos que não estiveram, mas que estão hoje aqui, um brinde de sorrisos com lágrimas...

"à saudade, ao sol, e à esperança de que para o ano possamos estar lá de novo!"

domingo, outubro 30, 2005

Para ti... que hoje estás triste


Também eu fui triste um dia. Estava triste porque não sabia estar de outro modo. Habituei-me àquele ciclo de dias negros, mesmo quando o sol brilhava. Habituei-me a não sair da minha pequena concha, a ficar ali quieta, a mostrar-me pequena, fugaz. Para ti, que apenas hoje estás triste, mas que ontem rias com gosto. Não te deixes apanhar nesse ciclo. Não deixes que os teus sorrisos sejam lavados pelas lágrimas. Estar triste, pensativo, distante... por vezes é bom, dá-te tempo para reflectir. Mas ser triste... deixa-te a alma dividida, entre a vontade de deixar de ser assim, e a falta de forças que o hábito nos impõe. Não sejas triste. Sorri para mim de novo. Porque eu, na distância descobri que estou viva, a minha pele transpira com o sol abrasador, e arrepia-se com a brisa da noite. Quando estou nervosa, sinto borboletas no estômago, tremo, e rio-me. Também tu estás vivo. Também sentes, e amas, e ficas nervoso, e arrepias-te. Também vês o belo e o feio. Estamos vivos, e a vida, por mais dura que seja, foi feita para sermos o mais felizes que conseguirmos. Todos os dias criamos expectativas sobre pessoas, situações, filmes... todos os dias há algo que nos desilude, e isso também faz parte da vida. Sorri, sorri para mim, porque se tu sorrires, eu sorrio também, e naquele momento, seremos felizes, apenas por estarmos assim, vivos.

segunda-feira, outubro 10, 2005

Um pouco de céu

Só hoje senti, que o rumo a seguir, levava p’ra longe
Senti que este chão já não tinha espaço p’ra tudo o que foge

Não sei o motivo p’ra ir, só sei que não posso ficar,
Não sei o que vem a seguir, mas quero procurar.

E hoje deixei de tentar erguer os planos de sempre
Aqueles que são p’ra outro amanhã que há de ser diferente

Não quero levar o que dei, talvez nem sequer o que é meu
É que hoje parece bastar, um pouco de céu, um pouco de céu

Um pouco de céu, um pouco de céu.

Só hoje esperei, já sem desespero que a noite caísse
Nenhuma palavra foi hoje diferente do que já se disse

E há uma força a nascer bem dentro no fundo de mim
E há uma força a vencer qualquer outro fim

Não quero levar o que dei, talvez nem sequer o que é meu
É que hoje parece bastar, um pouco de céu, um pouco de céu
Um pouco de céu, um pouco de céu. (3X)

Mafalda Veiga - Um pouco de céu

quinta-feira, outubro 06, 2005

A carta

Tenho uma carta no bolso. Não a meti no correio. Soprei-a num beijo e lancei-a ao vento.
Mas tenho as palavras no bolso, e tu vais tê-las no rosto.
No meu, trago um sorriso que subiu da carta e se colou nos lábios, deixando os olhos brilhantes e os bolsos vazios.

quinta-feira, setembro 22, 2005


Piso a estrada húmida. Oiço o queixume da água debaixo dos meus pés. Sigo em frente, com as mãos nos bolsos, o queixo e o nariz enfiados na gola alta da camisola quentinha. E um sorriso escondido lá no meio...

sexta-feira, setembro 16, 2005

What if...?


--- EDIT ------ O cerne deste post ------ EDIT ---

Estou de partida. Vou estudar para longe...
Não sinto que vá a fugir de nada, nem de ninguém. Acho que na realidade vou só "à procura das saudades que me digam que estou no lugar certo"... sinto-me perdida em mim mesma. Sei quem sou, só não sei quem vou ser no futuro. Estou insegura desta decisão... por outro lado não penso desistir dela, já tomei decisões cheia de certezas, e arrependi-me delas mal tinha acabado de "virar a esquina".
Quando era miúda tive um bote de borracha para duas pessoas, azul e amarelo. Um dia eu estava sozinha lá dentro, e vieram algumas ondas seguidas... tive esta sensação de que o mundo vai acabar e que eu me vou afogar, porue o barco é muito instável, e eu não sei nadar.

Mudo em breve, e ainda não sei se terei acesso fácil à internet... este meu retiro corre o risco de retornar a documentos escondidos numa pasta do meu computador, e um post ocasional nas visitas a casa.
Sinceramente, espero que isso não aconteça, mas se acontecer sei que terei muitas saudades... muitas mesmo.

Um beijo
Drops

terça-feira, setembro 13, 2005

Esperas...

Caminhos cruzam-se, olhares desafiam-se, palavras trocam-se, corpos respondem aos apelos instintivos de animais ditos civilizados. Depertam-se paixões, que acabam em cinzas de incêndios extinguidos num silêncio partilhado.
As pessoas são estranhas. Amam-se, partilham-se em carícias ou intimidades, ou palavras, ou amizades... mas nunca se dão, nunca verdadeiamente. E Quando decidem fazê-lo? Magoam-se... porque a altura nunca é a correcta, ou não o fazem à pessoa correcta, ou não são correspondidas.
Depois vêm os rancores, as pessoas fecham-se em pequenas conchas de madrepérola, e recusam-se a amar de novo. Não se entregam, abdicam da hipótese de serem felizes porque houve alguém que não o quis ser.

As pessoas são estranhas. Eu sou estranha. Tu também deves ser...

Caminhei vezes sem conta por uma praia que não conhecia, deixei-me abraçar por um mar salgado que nunca mais vou ver, enterrei os meus pés numa areia escura, e fina, que se entranhava em cada pedacinho de pele e depois saía como se nunca me tivesse tocado.
Vi um sol que lançava chamas no céu...o sol é sempre o mesmo, o céu também. Mas ali, longe de tudo, o efeito que tem... é poesia.
E a água, que ao encontrar a areia forma um espelho? Um espelho que distorce levemente a realidade e acentua a poesia...
Nessa praia descobri gente feliz. Que lançavam papagaios de papel, e jogavam à bola, e passeavam apaixonados à beira-mar... mas o que se esconde por trás disso? Aos meus olhos, apenas poesia.
Se ao menos eu fosse poeta conseguir-te-ia dizer com palavras sublimes que vale sempre a pena dares-te a alguém... deixares que as coisas aconteçam e que no fim tudo corre bem. Podia descrever-te aquele céu laranja, sob o qual vi aquelas pessoas que me pareciam tão felizes. Infelizmente, de poeta apenas carrego os sentimentos, e apenas te posso dizer que essa m(água) para que estás a olhar, é apenas um espelho distorcido da realidade.
Ama... ama muito, muitíssimo.


Foto: Marbella, Setembro de 2005. Tirada por mim, ao reflexo de alguém que merece o mundo.