quarta-feira, abril 06, 2005

Cheiro a maresia

"Estou finalmente à beira-mar... oiço as ondas a enrolarem-se na areia, num ritmo próprio, pausado, sem pressas, como se não existisse tempo... oiço as gaivotas que gritam esporadicamente, são gritos lancinantes de uma quase dor.
Este cheiro a maresia... que saudades. O sol bate-me nas costas, aquece-me como tu fizeste... Porque é que o tempo contigo voou, e agora parece arrastar-se ao ritmo das ondas?
Porque é que choro se já sei que é assim? A brisa gela-me as mãos, já não as sinto, já não oiço o meu coração que batia descompassado com as tuas carícias, já não me lembro de mim antes de ti... ridículo... Estou só, a matar saudades da minha infância, ainda assim não me encontro. Hoje procurei-me na areia branca da praia, nas pegadas das gaivotas, nos barcos dos pescadores que repousam tranquilos, nos prédios recortados no horizonte, neste cheiro, no barulho dos carros que passam indiferentes a quem fica, nas pessoas que tagarelam sobre a novela da véspera... onde estou? Contigo provavelmente, o meu corpo vagueia sem destino, e a minha alma procura-te incessantemente..."



Aqui está algo que escrevi na Baía de Cascais, num dia de sol intenso, mas que me pareceu ser o mais cinzento dos dias...

Foto: Ericeira (e não, não fui eu que tirei!)

1 comentário:

Thanatos disse...

Muito bonito mesmo e a foto complementa às mil maravilhas.