quarta-feira, maio 07, 2008

Fragmentos

Vi as tuas lágrimas serem levadas pelo rio de palavras que iam sendo ditas pela noite dentro. Brilhavam como pirilampos e voavam para longe de nós sem deixarem rasto. A noite caminhava de mãos dadas com a amizade improvisada em cima dos joelhos do vento quente, as conversas sucediam-se e proliferavam na madrugada que possuíamos, não pediam licença, e iam deixando marcas coloridas nos nossos rostos, como se a sua missão fosse fazer-nos felizes naquele fragmento de luz opaca que balançava à nossa volta.
Cúmplices desinteressadas que se uniram por um acaso premeditado pelo sol em conspiração com o balançar suave das ondas estáticas que nos faziam levitar acima das nuvens e além da compreensão humana.
Nem eu sei o que aconteceu naquela noite, fui preenchida por um sentimento de compreensão, pela vontade de dizer mais mil palavras, de ficar mais mil horas ali, sem nada mais que o desenvolver natural de conversas e filosofias, de risos e lágrimas doces, de nos despirmos de pudores sociais quadrados e vestirmos a pele de gente de outros tempos, de sonhadoras e descrentes ao mesmo tempo.
Fui o anjo que te deu colo, fui mensageira daquelas horas há tanto esquecidas e que nos marcaram para sempre. Foste e és parte do porto seguro para onde eu volto sempre, e eu sou a ponte entre o pretérito imperfeito do que fui, e o futuro mais que perfeito que pretendemos alcançar.
Foram conversas de meses inteiros atiradas para umas horas intensas de prazer verbal, de pureza assegurada pelas mentes atordoadas pela surpresa do que estava a acontecer.
Fui “eu” para “ti” naquele fragmento de espaço sideral que nos abraçou com força, e foste futuro pulsante nos sonhos há tanto abandonados.
Unidas por um pedaço de céu negro, rasgado pela luz da lua incógnita e pincelado por dedos carregados de saberes intensos.
Fomos Platão e Sócrates discutindo o existencialismo das estrelas entrançado com a voracidade das ondas do mar ali ao lado. Fomos alcançadas pela sabedoria do que já não é, e pela futilidade do que poderá vir a ser, assoberbadas por cartas de amor que nos chegavam de outros ares, e por risos conjuntos de compreensão absoluta.
E é de conhecer-te assim como a mim mesma que se constroem os risos e lágrimas explicadas apenas pela intuição certeira, e é dos perdões que não têm que ser pedidos que se mantém esta qualquer coisa em nós. Porque somos e seremos sempre, mesmo que o tempo te leve para longe, parte uma da outra, neste sentimento que não tem que ser definido nem explicado, simplesmente porque a sua ingenuidade sincera e inócua faz dele superior ao universo dos sentimentos mundanos.
=) Sabes quem és, *** To the moon and back one thousand times!

2 comentários:

Anónimo disse...

To the moon and back... 'round the sun another thousand times! Alwayyyyyys! =)

Viola De Lesseps disse...

Gostei muito de passar por aqui...Bonito Blog!

Beijos