terça-feira, agosto 23, 2005

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O que é que tu fazes quando não consegues dormir?

Qual é o remédio para conseguires obter o que hoje me parece ser o único remédio para esta agonia? Usei a táctica da música, e não resultou… vi filmes para rir, chatos, românticos, e… nada! Quer dizer, uma grande dose de vazio dentro da minha cabeça.

Dúvidas, flashes de dias que nunca deviam ter existido, incertezas de um futuro que já devia ter chegado, ou que talvez não devesse chegar nunca… paranóias das horas que passam sem que os olhos se fechem.

O sol subiu, e eu sem dormir. E não choro, porque chorar seria admitir que algo está errado… seria vitimizar-me, recusar-me a assumir os meus erros, dar a entender que era um outro alguém que estava errado. E não, não é nada disso. Eu quero apenas que me deixem ir, não me condenem. Os erros foram causados pelas noites que ficaram por dormir, não teria coragem de rasgar a minha folha de papel para não escrever nela mais palavras ignorantes… sendo que essa folha de papel, é apenas a última página de um capítulo deste livro que é a minha vida… não, não a iria rasgar. Vão haver mais uns capítulos, mais umas páginas, parágrafos, pontos, vírgulas… erros ortográficos, riscos, rabiscos. Vai haver tudo isso e não mais serei um borrão de tinta em capítulos de livros em que não me querem… ou em que eu não me quero. Saio sem que seja preciso mandarem-me embora com um mata-borrão. No teu livro, ficarei para sempre escondida, se mo permitires. Serei aquelas reticências, que seguem o “Era uma vez” do dia em que descobrires que és feliz.

O que é que tu fizeste para voltares a dormir?

Porque eu dormia sem ter sono, e hoje, mesmo depois de ultrapassar todas as barreiras de um cansaço inexplicável, não há sono que permaneça… nem há sonhos… nem há nada…

Umas asas que ninguém vê, feridas por facas que não existem. Dores fingidas lágrimas forçadas… mentiras, só mentiras e fingimentos para que tenhas pena… se tu ao menos soubesses, que as asas me foram arrancadas a sangue frio, por um cão raivoso, que as facas eram dentes, que morderam, e morderam, e rasgaram-me a carne em farrapos tão pequenos, que ninguém os vê. E as dores, doeram tanto, que o corpo entrou em colapso e deixou de sentir, e as lágrimas uniram-se, e formaram aquele rio, que corre algures escondido no meio da floresta.

E tu, que nunca irás ler isto, nunca irás ter pena, porque para ti, eu direi sempre que está tudo bem, e é a ti, que eu pergunto o que fazer quando não consigo adormecer, que eu apresento a solução para me ajudares a dormir… é aquele pedido que eu nunca te vou fazer, porque as noites escuras, passadas em branco, ainda me deixam o discernimento para saber que é melhor assim… hoje, hoje peço-te, o que nunca te vou pedir…

Contas-me uma história, e ajudas-me a dormir?

23/08/2005

4 comentários:

Vivis disse...

Ferida latente, sonos roubados...dor! Conseguiu prender-me na tua insonia, fiqui até dolorida... espero vê-la sorrir...
Bjos

Pescador disse...

" Umas asas que ninguém vê ... "

:-( ....

....

Bem, não tenho a certeza se te já contei... mas eu não nasci em Portugal, os meus avós foram para Angola nos anos 30 ou 40, e por lá nasceram depois duas gerações da minha familia... incluindo eu numa delas... embora com BI português ... a minha alma é africana... e esta história toda serve para quê...
Para te contar uma história... angolana !!


" Era uma vez uma aldeia onde havia uma senhora com duas filhas, uma chamada Kissanga e outra Binga. Ela era uma senhora que fazia o papel de pai e mãe.
Nesta mesma região havia certos "Maquícis". Maquícis é uma palavra que em Kimbundo significa homens canibais ou seres gigantescos. As pessoas da aldeia, por vezes, eram presas por estes mesmos "Maquícis".
A mãe, não tendo nenhum meio de sobrevivência a não ser lavrar, arriscava-se a ir lavrar e colher a alimentação para as suas filhas, que eram pequenas.
Certo dia, quando ela caminhava para a lavra, deu de encontro com estes seres que a raptaram e a levaram para o local onde eles viviam, com o objectivo de a comer.
As filhas, vendo que a mãe não aparecia, decidiram seguir pelo mesmo caminho para ir ao encontro da mãe.
Durante a caminhada, elas deram de encontro com várias pessoas da aldeia, que não foram capazes de dizer se haviam visto a mãe delas.
As meninas, desesperadas por não encontrarem a mãe, perguntavam por ela até mesmo aos animais. Até que uma pomba lhes disse onde estava a mãe delas. Sendo assim, pediram à pomba para salvar a mãe e a pomba assim fez .
A mãe e as filhas voltaram a ser muito felizes. "


Que as tuas noites sejam sempre repletas da mais suave música que te faça sonhar e ...!!!

Bjs doces e muitas noites de sono descansado e sereno

Pescador

Drops disse...

olá vi...

às vezes a dor arrebata-me,e não tenho remédio senão escrever... escrever... escrever.
Também espero sorrir, em breve, muito em breve.

beijo grande
Drops

Drops disse...

Olá Pescador, doce Pescador...

Ninguém as vê... poucos as sentem, tu serás um deles. :)

As noites no Alentejo foram reparadoras. Em breve parto de novo, rumo a um paraíso ligeiramente mais longe, e depois começam as aulas, e ai, tudo muda... mas isso, será história para um e-mail... quando a altura chegar.

Um beijo, grande, e muito doce =)
Drops