sexta-feira, agosto 19, 2005

Tinta Preta


Hoje fui lá fora e a noite recebeu-me gelada, quase tão gelada como as minhas mãos, essas mesmas mãos que abraçam a caneta que deixa a tinta preta escorrer pelo papel, preta como a noite, e as estrelas são os espaços brancos por entre as letras e palavras… que poema escreves tu noite? Parei um pouco para te ouvir, é tão belo o que contas.
És gelada e as pessoas fogem de ti por seres assim, não te encontram a beleza escondida, mas tu só és gelada porque ninguém te dá um abraço quente! Como as minhas mãos, frias por ninguém as aquecer. Eu abraço-te noite, com as minhas incertezas, com as mesmas mãos frias que abraçam a caneta de tinta preta, com os meus olhos marejados de lágrimas não choradas, a minha alma inocente, os meus pensamentos que vão voando… abraço-te com força, com determinação, com carinho e sem medo.
As pessoas temem-te porque és escura, misteriosa, porque nunca sabem o que se esconde nas tuas sombras, pois é isso que eu amo em ti, o nunca saber o que esperar, o seres diferente, o não permitires que a luz te mude, nem te afaste, nem te aqueça…
Não serás tu apenas um borrão de tinta negra deixado cair numa folha de papel de seda? Não serão as estrelas apenas salpicos de sal das lágrimas caídas sobre esse mesmo papel? Que carta de amor foste tu arruinar? Não serei eu apenas uma das letras escondidas por baixo dessa mancha de tinta negra? Eram belas as palavras? Diz-me noite, és tinta preta que escorre suavemente? É por isso que me vais cobrindo a alma de luto cada vez que te abraço? É por isso que me gelas o coração?
Perdoa-me noite, amo-te mesmo assim, sejas tinta preta, ou um xaile negro do luto pela morte do dia, sejas o que fores, por quem fores…
(31/01/2005)

4 comentários:

Vivis disse...

Voltaste, que bom! E em grande estilo, linda tuas palavras...
Bjos

Pescador disse...

Ontem voltei, ... passei por mim numa tarde onde parte do meu corpo deixou-se ficar enterrado no mar, a falar com ele e a ouvi-lo, a admira-lo e a temê-lo !!
Quando vim me embora já a lua ia alta e bela ... !!
Esta tinta negra de que falas também esteve lá... mais tarde, nada gelada ... pois a estação também é diferente...., as minhas mãos quentes apertaram uma folha de papel que ficou depois a boiar no oceano ... com segredos que só eles também saberão !!
Sabes, ás tuas mãos devem ser quentes, agora..., não porque já estamos no verão e não no inverno... mas sim porque as tuas palavras são quentes, as tuas palavras aquecem-me....
Bjs doces meu anjo !!
Pescador

Drops disse...

Olá Vi...
Obrigada.

Agora estou novamente de partida, o Alentejo espera-me de braços abertos.

E desta vez, regresso com umas fotografias da paz que vou encontrar ;)

Beijos grandes
Drops

Drops disse...

Olá Pescador, doce Pescador...

=) deixas-me sem jeito... obrigada pelas tuas palavras, sempre doces.
Fiquem com vontade de ir nadar à noite, coisa que não faço há demasiado tempo...

Beijo enorme, e o mais doce possível, para que seja suficiente até ao meu regresso no fim da semana ;)
Drops